Do Nascer ao Pôr do Sol, Louvado Seja o Nome do Senhor
Reflexão Expositiva sobre o Salmo 113, com destaque para o versículo 3
“Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor.” — Salmo 113:3 (ARA)
Existem versículos que, em poucas palavras, conseguem expressar uma verdade suficientemente grande para preencher toda uma vida. O Salmo 113:3 é um deles.
“Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor.”
O sol nasce. O dia começa. As horas passam. A tarde chega. Finalmente, o sol desaparece no horizonte.
E entre o primeiro raio da manhã e o último brilho do entardecer existe uma convocação que não muda: Louvado seja o nome do Senhor.
Mas o Salmo 113 vai muito além de um convite para louvar a Deus durante o dia. Ele apresenta razões profundas para esse louvor.
O salmista contempla um Deus que está acima de todas as nações, cuja glória está acima dos céus, mas que, extraordinariamente, se inclina para olhar os céus e a terra.
É um Deus exaltado acima de tudo e, ao mesmo tempo, próximo dos necessitados. O Salmo 113 nos mostra, portanto, duas verdades que parecem contrastantes, mas caminham perfeitamente juntas: Deus é incomparavelmente grande.
E esse Deus incomparavelmente grande se importa com os pequenos.
“Aleluia!”
O salmo começa com uma palavra conhecida:
“Aleluia!” — Salmo 113:1 (ARA)
A expressão significa: “Louvai ao Senhor.” Não é apenas uma exclamação religiosa. É uma convocação. O salmista está chamando o povo de Deus para reconhecer publicamente quem o Senhor é.
Logo em seguida, repete:
“Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor.” — Salmo 113:1 (ARA)
Três vezes, em apenas um versículo, a ideia de louvor aparece. Isso nos mostra que o louvor não ocupa um lugar secundário na vida daquele que conhece a Deus.
Quem começa a compreender quem Deus é inevitavelmente encontra razões para adorá-Lo.
“Servos do Senhor”
Existe algo interessante na maneira como o salmista se dirige ao povo: “Servos do Senhor.”
Antes de falar sobre aquilo que fazemos para Deus, o salmo nos lembra a quem pertencemos. O servo não pertence a si mesmo. Sua vida está relacionada ao seu senhor.
Da mesma maneira, o verdadeiro louvor começa quando reconhecemos: Deus é Senhor. Ele não existe para cumprir nossos projetos. Não é um recurso espiritual ao qual recorremos apenas quando nossos planos dão errado. Nós pertencemos a Ele.
A adoração verdadeira começa quando Deus deixa de ser apenas alguém de quem queremos receber alguma coisa e passa a ocupar, conscientemente, o lugar que já é Seu: o centro.
“Bendito seja o nome do Senhor”
O versículo seguinte declara:
“Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.” — Salmo 113:2 (ARA)
Observe duas dimensões de tempo: agora e para sempre. O louvor começa no presente, mas não termina nele. O salmista olha para além de sua própria geração.
Pessoas nascem e morrem. Impérios surgem e desaparecem. Culturas mudam. Nações se transformam. Gerações passam. Mas o Senhor permanece.
Por isso, Seu nome continuará sendo digno de louvor quando todos os nomes que hoje parecem importantes tiverem sido esquecidos.
“Do nascimento do sol até ao ocaso”
Chegamos ao versículo central de nossa reflexão:
“Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor.” — Salmo 113:3 (ARA)
Essa expressão pode ser compreendida de duas maneiras complementares. Primeiro, ela fala do tempo. Do início ao final do dia. Segundo, ela possui também uma dimensão geográfica. Do lugar onde o sol nasce ao lugar onde ele se põe.
Em outras palavras: em todo tempo e em todo lugar, Deus é digno de louvor. Não existe horário em que Sua glória diminua. Não existe território onde Ele deixe de ser Senhor.
Louvar somente quando tudo vai bem?
Aqui o Salmo 113 começa a confrontar nossa maneira de pensar. É relativamente fácil louvar quando recebemos aquilo que pedimos. Quando a oração é respondida como esperávamos. Quando a saúde está bem. Quando existem recursos suficientes. Quando os relacionamentos estão tranquilos. Quando os planos dão certo.
Mas o salmista não declara: “Quando tudo estiver bem, louvado seja o nome do Senhor.”
Ele diz: “Do nascimento do sol até ao ocaso.” Isso inclui dias bons. E inclui dias difíceis.
Nossa adoração não pode depender exclusivamente das circunstâncias, porque o caráter de Deus não muda quando nossas circunstâncias mudam.
Louvor não é negar a dor
Isso não significa fingir que estamos felizes quando estamos sofrendo. A própria coleção dos Salmos contém lamentos profundos. Davi chorou. Asafe questionou. Outros salmistas expressaram medo, tristeza, solidão e perplexidade.
A Bíblia não exige uma espiritualidade artificial. Podemos chorar e continuar confiando. Podemos não compreender e continuar adorando. Podemos dizer: “Senhor, isto dói.” E ainda assim acrescentar: “Mas Tu continuas sendo Deus.”
Talvez algumas das formas mais profundas de adoração surjam justamente quando não temos respostas, mas ainda temos fé.
“Excelso é o Senhor”
O salmo continua:
“Excelso é o Senhor, acima de todas as nações, e a sua glória, acima dos céus.” — Salmo 113:4 (ARA)
Agora nossa atenção sai do horizonte e sobe. Deus está acima das nações. Isso era uma afirmação poderosa no mundo antigo.
Cada povo possuía seus reis, suas estruturas políticas e frequentemente seus próprios deuses. Israel, entretanto, confessava que o Senhor não era simplesmente uma divindade regional. Ele é Senhor sobre todas as nações.
Reis possuem autoridade limitada. Governos possuem prazo. Impérios possuem fronteiras. Deus não. Sua glória está acima dos céus.
Nenhum poder humano está acima de Deus
Essa verdade continua profundamente atual. Governantes podem parecer poderosos. Nações podem exercer enorme influência. Sistemas econômicos podem afetar milhões de pessoas. Decisões humanas podem mudar a história. Mas nenhuma autoridade ocupa o trono de Deus.
Isso não significa que acontecimentos políticos ou sociais sejam irrelevantes. Significa que eles nunca devem ocupar em nosso coração um lugar maior do que possuem.
O cristão pode olhar para um mundo instável e ainda declarar: “Excelso é o Senhor, acima de todas as nações.”
Nossa esperança definitiva não está em governos. Está em Deus.
“Quem há semelhante ao Senhor?”
Então surge uma pergunta:
“Quem há semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas...” — Salmo 113:5 (ARA)
A resposta é evidente: Ninguém.
Essa pergunta atravessa toda a Bíblia. Quem pode ser comparado ao Senhor? Nenhum rei. Nenhum ídolo. Nenhuma força da natureza. Nenhuma criatura. Nenhuma autoridade espiritual. Deus é único.
Ele não é simplesmente maior do que os outros. Ele está em uma categoria que pertence somente a Ele.
O Deus que está nas alturas olha para baixo
Mas então o salmo apresenta algo extraordinário. O Deus cujo trono está nas alturas:
“...se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra.” — Salmo 113:6 (ARA)
Pense nessa imagem. Deus é tão elevado que, figurativamente, precisa inclinar-Se até mesmo para contemplar os céus.
E, ainda assim, Ele olha para a terra. A grandeza de Deus não O torna indiferente. Sua transcendência não significa distância emocional. Ele é infinitamente superior à criação e, ao mesmo tempo, envolve-Se com aquilo que acontece nela.
O Deus elevado vê quem está no pó
E então o salmo se torna ainda mais surpreendente:
“Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado...” — Salmo 113:7 (ARA)
O salmista começou olhando para Deus acima dos céus. Agora olha para alguém caído no pó. Que contraste! De um lado: o trono nas alturas. Do outro: o necessitado no chão.
E o Deus que está nas alturas vê aquele que está no pó. Essa é uma das imagens mais belas do salmo. Talvez o mundo não perceba aquela pessoa. Talvez ninguém conheça sua história. Talvez socialmente ela não possua qualquer importância. Deus vê.
Deus não mede pessoas como nós medimos
Nós somos facilmente impressionados por posição, aparência, riqueza, títulos e influência. Deus não.
O Salmo 113 apresenta um Senhor que percebe justamente aquele que a sociedade pode ignorar. O desvalido. O necessitado. Aquele que está no pó. Isso deveria transformar também nossa maneira de olhar para as pessoas.
Se Deus demonstra atenção aos pequenos, Seu povo não pode viver fascinado apenas pelos grandes.
A Igreja precisa enxergar quem o mundo não enxerga. “Para o fazer assentar ao lado dos príncipes”
O versículo seguinte declara:
“...para o fazer assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.” — Salmo 113:8 (ARA)
Aquele que estava no pó agora está entre príncipes. A mudança é radical. O salmo não está prometendo que todo pobre se tornará literalmente governante.
Está exaltando o poder soberano de Deus para reverter situações que parecem definitivas aos olhos humanos.
A condição presente de alguém não limita aquilo que Deus pode fazer. Ele levanta. Ele restaura. Ele muda histórias.
A mulher estéril e a alegria de um lar
O salmo termina:
“Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” — Salmo 113:9 (ARA)
No contexto do mundo antigo, a esterilidade frequentemente carregava enorme sofrimento pessoal e social. O salmista utiliza essa situação para apresentar novamente o Deus que transforma aquilo que parecia impossível.
A mulher que carregava tristeza agora é apresentada em alegria. Mais uma vez, o tema é reversão. O necessitado é levantado do pó. A mulher estéril recebe um lar cheio de alegria.
O salmo começa com louvor e termina com uma razão para continuar louvando: Deus vê, Deus se importa e Deus pode transformar.
O Salmo 113 prepara nossos olhos para o Evangelho
Existe algo ainda mais belo quando lemos esse salmo à luz de Cristo. O Deus exaltado acima dos céus não apenas olhou para baixo. Em Cristo, Ele veio até nós.
Paulo escreve sobre Jesus:
“...a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo...” — Filipenses 2:7 (ARA)
O Senhor exaltado tornou-Se servo. Aquele que está acima das nações entrou na história humana. Aquele diante de quem todos deveriam se curvar aproximou-Se dos pobres, dos doentes, dos pecadores e dos rejeitados. E foi até a cruz.
O movimento apresentado poeticamente no Salmo 113 — o Deus elevado que se inclina para olhar o necessitado — encontra uma expressão extraordinária no Evangelho.
Cristo desceu para nos levantar
Existe uma bela correspondência aqui. O Salmo 113 declara: Deus se inclina. Deus vê o necessitado. Deus o levanta do pó.
No Evangelho, Cristo desce à nossa condição para nos levantar espiritualmente. Não conseguimos subir até Deus através de nossos méritos. Foi Deus quem veio até nós em Cristo. A graça sempre começa de cima para baixo. Nós não fomos salvos porque conseguimos alcançar Deus. Fomos alcançados por Ele.
Isso nos dá uma razão ainda maior para repetir: “Louvado seja o nome do Senhor.”
Do amanhecer ao entardecer
Existe também uma aplicação muito simples e bela em Salmo 113:3. Podemos transformar nosso próprio dia em uma vida de adoração.
Quando o sol nasce: “Obrigado, Senhor, por mais um dia.”
Durante o trabalho: “Seja glorificado naquilo que faço.”
Durante uma dificuldade: “Ainda confio em Ti.”
Em uma alegria: “Toda boa dádiva procede de Ti.”
Ao final do dia: “Obrigado por ter me sustentado até aqui.”
O louvor deixa de ser apenas algo que fazemos durante alguns minutos e começa a se tornar uma maneira de viver.
Louvar é mais do que cantar
Quando ouvimos a palavra “louvor”, frequentemente pensamos imediatamente em música. A música é uma maravilhosa expressão de adoração. Mas o louvor bíblico é maior do que cantar.
Louvamos a Deus quando reconhecemos Sua grandeza. Quando agradecemos. Quando testemunhamos aquilo que Ele fez. Quando obedecemos. Quando usamos nossos dons para Sua glória. Quando tratamos pessoas com dignidade. Quando permanecemos fiéis mesmo em momentos difíceis.
Nossa vida pode tornar-se uma declaração: “Louvado seja o nome do Senhor.”
Quando parece que Deus não está vendo
Talvez alguém leia o Salmo 113 sentindo-se exatamente como aquele “desvalido” mencionado pelo salmista. No pó. Esquecido. Ignorado. Talvez as circunstâncias não tenham mudado.
Nesse caso, o salmo não nos oferece uma promessa de que tudo acontecerá exatamente como desejamos ou no momento que esperamos. Ele nos oferece algo mais fundamental: o Deus que está acima dos céus vê você.
Aquele que governa as nações não está ocupado demais para perceber o necessitado. Sua grandeza não O impede de olhar para nossa fraqueza. Pelo contrário, o salmo apresenta justamente essa proximidade como uma das razões pelas quais Ele merece nosso louvor.
Aplicação para nossa vida
O Salmo 113 nos convida a algumas perguntas:
Meu louvor depende apenas de circunstâncias favoráveis?
Reconheço Deus como Senhor também nos dias difíceis?
Tenho permitido que problemas temporários se tornem maiores em meu coração do que a soberania de Deus?
Consigo perceber a grandeza de um Deus que está acima das nações e, ao mesmo tempo, cuida dos necessitados?
Tenho enxergado e servido pessoas que a sociedade costuma ignorar?
Minha adoração acontece apenas através de palavras e músicas ou também através da minha maneira de viver?
Do início ao fim do meu dia, existe espaço para reconhecer a bondade de Deus?
Talvez não consigamos controlar aquilo que acontecerá entre o nascer e o pôr do sol. Mas podemos decidir a quem pertencerá nosso louvor durante esse tempo.
Conclusão
O Salmo 113 começa e termina com a mesma palavra: Aleluia!
Entre esses dois chamados ao louvor, encontramos um retrato extraordinário de Deus. Ele está acima das nações. Sua glória está acima dos céus. Seu trono está nas alturas. Ninguém pode ser comparado a Ele.
E, ainda assim: Ele se inclina. Ele vê. Ele levanta o necessitado. Ele transforma histórias.
Essa combinação torna o Salmo 113 tão belo. O Deus infinitamente grande não é indiferente ao ser humano aparentemente insignificante. O Senhor do universo percebe quem está no pó.
Por isso, nosso louvor não precisa esperar que todas as circunstâncias estejam perfeitas. Podemos adorá-Lo pela manhã. Podemos confiar nEle durante o dia. Podemos agradecer ao entardecer. E podemos continuar fazendo isso amanhã.
Porque o sol nasce e se põe. As circunstâncias chegam e passam. Gerações surgem e desaparecem. Mas Deus continua sendo Deus.
E enquanto houver um horizonte onde o sol possa nascer e outro onde possa se pôr, continuará ecoando a convocação:
“Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor.” — Salmo 113:3 (ARA)
Do amanhecer ao entardecer, nos dias de alegria e nos dias difíceis, existe uma verdade que permanece: o Senhor continua sendo digno de todo o nosso louvor.
Fernando Paulo Ferreira (Fefo)
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