Buscai as Coisas Lá do Alto


Reflexão Expositiva sobre Colossenses 3:1

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.” — Colossenses 3:1 (ARA)

Existe uma pergunta que todo cristão precisa fazer de tempos em tempos: O que tem ocupado minha mente, meus desejos e minhas prioridades?

Vivemos cercados por preocupações legítimas. Trabalho, dinheiro, família, saúde, compromissos, projetos e responsabilidades fazem parte da vida. Não existe nada necessariamente errado em pensar nessas coisas.

O problema começa quando aquilo que pertence a esta vida ocupa de tal maneira nosso coração que perdemos a perspectiva da eternidade.

É justamente nesse ponto que as palavras do apóstolo Paulo em Colossenses 3:1 nos confrontam: “Buscai as coisas lá do alto.”

Paulo não está convidando os cristãos a fugir da realidade. Também não está ensinando que devemos desprezar nossa vida presente. Seu chamado é muito mais profundo.

Ele nos ensina que aqueles que foram unidos a Cristo precisam aprender a enxergar toda a vida a partir de Cristo.

Não se trata simplesmente de olhar para o céu. Trata-se de viver na terra com o coração orientado pelo céu.

O “portanto” que muda tudo

Colossenses 3 começa com uma palavra importante: “Portanto.” Ela nos obriga a olhar para aquilo que Paulo ensinou anteriormente. Nos capítulos 1 e 2, o apóstolo apresentou a grandeza de Cristo.

Ele declara:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.” — Colossenses 1:15 (ARA)

E continua:

“Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis...” — Colossenses 1:16 (ARA)

Cristo não é simplesmente mais um mestre religioso. Ele é Senhor. Criador. Sustentador. Cabeça da Igreja. Aquele em quem habita toda a plenitude.

É a partir dessa compreensão de Cristo que Paulo começa a explicar como o cristão deve viver. A doutrina vem antes da prática.

Primeiro Paulo mostra quem Cristo é e o que Ele fez. Depois pergunta, em essência: Se tudo isso é verdade, como devemos viver?

“Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo”

Paulo começa com nossa união com Cristo. “Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo...”

Esse “se” não expressa necessariamente dúvida. No contexto, possui o sentido de: “Já que vocês foram ressuscitados com Cristo...” Paulo está falando com cristãos.

No capítulo anterior, ele havia escrito:

“...tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” — Colossenses 2:12 (ARA)

Aqui encontramos uma das verdades mais profundas do Evangelho: o cristão está unido a Cristo.

Sua morte possui consequências para nós. Sua ressurreição possui consequências para nós. Nossa identidade mudou. O Evangelho não apenas melhora nossa antiga vida. Às vezes tratamos o cristianismo como se Jesus tivesse vindo simplesmente para tornar nossa vida um pouco melhor.

Mais paz. Mais propósito. Mais esperança. Melhores relacionamentos. Essas coisas podem realmente acontecer como frutos da graça. Mas o Evangelho anuncia algo muito maior.

Paulo não diz: “Vocês receberam algumas melhorias.” Ele fala de morte e ressurreição.

Nossa antiga condição estava marcada pelo pecado e pela separação de Deus. Em Cristo recebemos uma nova identidade. Isso significa que o cristianismo não é apenas uma reforma moral. É nova vida.

Ressuscitados, mas ainda vivendo neste mundo

Aqui surge uma tensão importante. Paulo diz que fomos ressuscitados com Cristo, mas continuamos vivendo nesta terra. Ainda trabalhamos. Pagamos contas. Enfrentamos problemas. Sentimos cansaço. Ficamos preocupados. Enfrentamos tentações. Choramos. Envelhecemos. Então, o que mudou?

Mudou nossa posição espiritual e nossa direção. Ainda estamos fisicamente neste mundo, mas já não pertencemos ao sistema de valores que vive como se Deus não existisse.

Nossa vida agora possui outro centro. Cristo.

“Buscai”

Depois de apresentar nossa nova identidade, Paulo dá uma ordem: “Buscai.”

Essa palavra indica intenção. Movimento. Prioridade. Ninguém busca seriamente aquilo que considera irrelevante. Quando procuramos alguma coisa importante, organizamos nossas ações ao redor dela.

Por isso, “buscar as coisas lá do alto” não significa apenas pensar ocasionalmente em assuntos espirituais. Significa orientar conscientemente nossa vida para aquilo que pertence a Cristo.

A pergunta é: O que tenho buscado?

Todos nós estamos buscando alguma coisa

Mesmo sem perceber, nossa vida é uma busca constante. Buscamos segurança. Reconhecimento. Conforto. Dinheiro. Estabilidade. Prazer. Relacionamentos. Sucesso. Aprovação.

Nenhuma dessas coisas é necessariamente pecaminosa em si mesma. O problema aparece quando transformamos alguma delas em nosso objetivo supremo.

Jesus já havia ensinado:

“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça...” — Mateus 6:33 (ARA)

Existe sempre alguma coisa ocupando o primeiro lugar. A questão não é se buscamos. A questão é: O que buscamos acima de tudo?

“As coisas lá do alto”

O que são essas “coisas lá do alto”? Paulo não está falando de nuvens, anjos ou especulações sobre o céu. O próprio versículo explica: “...onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.”

As coisas do alto são aquelas relacionadas ao reino, à vontade e ao caráter de Cristo. Santidade. Verdade. Amor. Misericórdia. Justiça. Perdão. Obediência. comunhão com Deus. Serviço. Esperança eterna.

Buscar as coisas do alto significa perguntar: “O que Cristo deseja produzir em mim?”

Olhar para o alto não significa ignorar a terra

Existe um erro que precisamos evitar. Uma pessoa pode imaginar que ser “espiritual” significa tornar-se indiferente às responsabilidades terrenas. Mas observe o restante de Colossenses 3.

Paulo fala sobre: marido e esposa, pais e filhos, trabalho, relacionamentos, palavras, perdão, comportamento, gratidão. Ou seja: quanto mais nossa mente está orientada pelas coisas do alto, mais nossa vida na terra deve ser transformada.

A verdadeira espiritualidade não nos torna irresponsáveis. Ela transforma nossa maneira de exercer responsabilidades.

Um cristão celestialmente orientado deve ser útil na terra

Buscar as coisas do alto deveria tornar alguém: mais honesto no trabalho; mais paciente dentro de casa; mais misericordioso com quem erra; mais responsável com seus compromissos; mais cuidadoso com suas palavras; mais disposto a servir; mais preocupado com a verdade; mais consciente de que sua vida pertence a Deus.

Se nossa “espiritualidade” nos torna arrogantes, indiferentes ou irresponsáveis, alguma coisa está errada. O céu não nos afasta da obediência cotidiana. Ele dá sentido a ela.

“Onde Cristo vive”

Existe uma razão central para buscarmos as coisas do alto: Cristo está lá. Esse é o coração do versículo.

Paulo não nos chama a buscar simplesmente um lugar melhor. Ele nos chama a buscar aquilo que está relacionado a uma Pessoa.

O cristão não deseja o céu apenas porque lá não existe sofrimento. Deseja o céu porque Cristo está lá. Essa diferença é profunda.

Se desejamos o céu apenas porque queremos escapar das dificuldades, talvez estejamos buscando conforto. Mas quando desejamos estar com Cristo, estamos buscando o próprio Senhor.

“Assentado à direita de Deus”

Paulo acrescenta: “...assentado à direita de Deus.” Essa expressão aponta para autoridade, honra e governo. Cristo não está derrotado. Não está esperando para descobrir como a história terminará. Ele reina.

Depois de Sua morte e ressurreição, foi exaltado. Isso possui enorme importância para nossa vida. Vivemos em um mundo instável. Governos mudam. Economias mudam. Culturas mudam. Ideologias surgem e desaparecem. Circunstâncias pessoais podem mudar de uma hora para outra.

Mas existe um trono que não está vazio. Cristo reina.

A soberania de Cristo muda nossa maneira de enfrentar o mundo

Quando compreendemos que Cristo está assentado à direita de Deus, nossos problemas não desaparecem automaticamente. Mas ganham outra perspectiva.

Podemos olhar para situações que não controlamos e lembrar: Cristo continua no trono.

Podemos enfrentar incertezas e dizer: Cristo continua no trono.

Podemos observar um mundo confuso e afirmar: Cristo continua no trono.

A fé não significa acreditar que tudo acontecerá como queremos. Significa confiar que, mesmo quando não compreendemos os acontecimentos, o Senhor da história não perdeu Sua autoridade.

O versículo seguinte fala da mente

Paulo continua:

“Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra.” — Colossenses 3:2 (ARA)

No versículo 1: “Buscai.”

No versículo 2: “Pensai.”

Desejos e pensamentos caminham juntos. Aquilo em que pensamos repetidamente começa a influenciar aquilo que desejamos. E aquilo que desejamos influencia nossas decisões.

Por isso, a batalha espiritual também acontece na mente.

Com o que alimentamos nossa mente?

Essa pergunta tornou-se ainda mais importante em nosso tempo. Nunca tivemos acesso a tanta informação. Notícias. Vídeos. Redes sociais. Opiniões. Discussões. Publicidade. Entretenimento. Notificações.

Podemos passar horas consumindo conteúdo e poucos minutos permitindo que a Palavra de Deus forme nossa maneira de pensar.

Então surge uma pergunta desconfortável: Quem está discipulando nossa mente? A Bíblia? Ou o algoritmo?

As redes sociais conhecem nossos desejos

Os sistemas digitais aprendem rapidamente aquilo que prende nossa atenção. Quanto mais assistimos determinado tipo de conteúdo, mais conteúdo semelhante recebemos.

Isso significa que precisamos exercer discernimento. Nem tudo aquilo que aparece diante de nossos olhos merece ocupar nossa mente.

Paulo escreve:

“Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro... seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” — Filipenses 4:8 (ARA)

Buscar as coisas do alto exige também aprender a dizer não a algumas coisas que querem dominar nossa atenção.

Não significa pensar apenas em assuntos religiosos

É importante esclarecer isso. Pensar nas coisas do alto não significa passar vinte e quatro horas pensando apenas em versículos ou temas teológicos.

Podemos pensar biblicamente sobre: trabalho, dinheiro, amizade, política, família, arte, cultura, descanso, tecnologia, sexualidade, justiça, sofrimento.

A questão não é retirar nossa mente do mundo. É aprender a enxergar o mundo a partir da verdade de Deus.

“Porque morrestes”

Paulo continua no versículo 3:

“Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” — Colossenses 3:3 (ARA)

Novamente aparece a linguagem de morte. Nossa antiga identidade não possui mais a palavra final. Isso significa que o cristão não precisa continuar definindo-se exclusivamente pelo passado.

Talvez alguém diga: “Eu sempre fui assim.” “Esse é meu temperamento.” “Não consigo mudar.” “Meu passado me condena.”

Paulo responde: “Vocês morreram, e sua vida está escondida com Cristo.” Nossa identidade fundamental agora está nEle.

O passado pode explicar, mas não precisa governar

Todos carregamos uma história. Experiências moldam comportamentos. Feridas deixam marcas. Erros possuem consequências.

Paulo não está dizendo que tudo isso desaparece magicamente. Mas existe uma diferença entre reconhecer a influência do passado e permitir que ele determine nosso futuro.

Em Cristo podemos dizer: “Meu passado faz parte da minha história, mas Cristo possui autoridade sobre minha identidade.”

Isso é liberdade.

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar”

O versículo 4 apresenta nossa esperança:

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” — Colossenses 3:4 (ARA)

Observe a expressão: “Cristo, que é a nossa vida.”

Paulo não diz apenas: “Cristo faz parte de nossa vida.”

Ele diz: Cristo é nossa vida.

Existe uma enorme diferença. Jesus não é um acessório espiritual acrescentado à nossa existência. Ele é o centro. Nossa identidade. Nossa esperança. Nosso Senhor.

A esperança futura transforma a vida presente

Cristo voltará. A história caminha para um encontro com Ele. Essa esperança não deveria produzir passividade. Deveria produzir santidade.

Se sabemos para onde estamos indo, começamos a organizar nossa vida de acordo com nosso destino. Paulo continua o capítulo falando justamente sobre abandonar práticas pecaminosas e revestir-se de um novo caráter.

A esperança da glória possui consequências para hoje.

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”

No versículo 5, Paulo torna a aplicação ainda mais concreta:

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena...” — Colossenses 3:5 (ARA)

Aqui encontramos uma verdade importante. Já fomos unidos a Cristo em Sua morte e ressurreição. Mas ainda precisamos lutar diariamente contra o pecado.

Existe uma realidade definitiva: pertencemos a Cristo.

E existe um processo contínuo: estamos sendo santificados.

Por isso, buscar as coisas do alto não é apenas contemplação. Envolve guerra contra aquilo que pertence à velha vida.

Não alimentamos aquilo que queremos matar

Esse princípio é simples, mas importante. Se existe um pecado contra o qual estamos lutando, não podemos continuar alimentando as condições que o fortalecem.

Não faz sentido pedir: “Senhor, livra-me desta tentação” enquanto deliberadamente nos colocamos repetidamente diante dela.

Às vezes, buscar as coisas do alto significa tomar decisões práticas. Mudar hábitos. Evitar determinados ambientes. Controlar conteúdos. Encerrar algumas conversas. Pedir ajuda. Confessar pecado. Estabelecer limites.

Santificação não é passividade.

Depois de tirar, precisamos vestir

Paulo não fala apenas sobre abandonar pecados. Mais adiante escreve:

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.” — Colossenses 3:12 (ARA)

Isso é maravilhoso.

A vida cristã não é apenas uma lista de coisas que deixamos de fazer. Existe um novo caráter a desenvolver.

Tirar: ira, maldade, mentira, impureza.

Vestir: misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, amor.

Buscar as coisas do alto começa a tornar Cristo visível na terra.

O amor é o vínculo da perfeição

Paulo continua:

“Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” — Colossenses 3:14 (ARA)

Aqui percebemos novamente que espiritualidade verdadeira aparece nos relacionamentos. Podemos falar sobre céu. Podemos conhecer teologia. Podemos citar versículos.

Mas se nossa vida produz constantemente orgulho, agressividade e desprezo, precisamos examinar nossa caminhada.

Aquele que busca as coisas do alto deve aprender a amar pessoas aqui embaixo.

A paz de Cristo deve governar

O versículo seguinte declara:

“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração...” — Colossenses 3:15 (ARA)

Buscar as coisas do alto também significa permitir que Cristo governe nossas reações. Isso não significa ausência de conflitos. Significa que não precisamos permitir que ressentimento, ira e desejo de vingança se tornem nossos senhores.

A paz de Cristo possui autoridade maior.

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo”

Paulo apresenta ainda um dos principais meios pelos quais nossa mente é orientada para o alto:

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo...” — Colossenses 3:16 (ARA)

Observe: não apenas visite. Habite. E não habite superficialmente. Ricamente.

A Palavra de Deus precisa encontrar espaço permanente em nós. Isso exige leitura, meditação, estudo, memorização, aplicação.

Quanto mais a Palavra habita em nós, mais aprendemos a enxergar a realidade através dela.

Não basta possuir uma Bíblia

Podemos possuir várias Bíblias e ainda permitir que nossa mente seja formada quase exclusivamente por outras vozes.

A questão não é quantas Bíblias temos em casa. É: quanto da Palavra está habitando em nós?

Ela influencia nossas decisões? Confronta nossos pecados? Corrige nossas opiniões? Forma nossos valores? Ou apenas procuramos nela textos que confirmem aquilo que já queríamos pensar?

Buscar as coisas do alto significa também permitir que Deus tenha autoridade para corrigir nossa maneira de pensar.

“Tudo o que fizerdes”

Paulo leva o princípio para toda a vida:

“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus...” — Colossenses 3:17 (ARA)

Aqui desaparece qualquer divisão artificial entre “sagrado” e “secular”. Tudo.

Nosso trabalho pode glorificar a Deus. Nossa maneira de falar. Nossa administração financeira. Nosso relacionamento familiar. Nossa presença na internet. Nosso descanso. Nossa maneira de tratar pessoas.

Buscar as coisas do alto significa viver toda a vida debaixo do senhorio de Cristo.

Aplicação para nossa vida

Colossenses 3:1 nos convida a algumas perguntas:

  • O que tenho buscado acima de tudo?

  • Minhas prioridades demonstram que Cristo realmente ocupa o centro?

  • Tenho vivido excessivamente preocupado com coisas temporárias?

  • Minha mente tem sido mais formada pela Palavra de Deus ou pelo conteúdo que consumo diariamente?

  • Existe algum pecado que continuo alimentando enquanto digo que desejo vencê-lo?

  • Minha espiritualidade tem me tornado mais útil, responsável e amoroso na vida cotidiana?

  • Minha identidade ainda está presa ao passado ou fundamentada em Cristo?

  • Tenho vivido consciente de que Cristo reina?

  • A esperança da volta de Cristo influencia minhas escolhas hoje?

  • A Palavra de Cristo realmente habita ricamente em mim?

Essas perguntas não servem para produzir uma religiosidade baseada em culpa. Servem para realinhar nosso coração.

Onde nossos olhos estão?

Talvez uma das melhores imagens para Colossenses 3 seja a direção de nossos olhos. Quando olhamos apenas para baixo, nossos problemas parecem enormes. Quando olhamos apenas para nós mesmos, nossas limitações parecem definitivas. Quando olhamos apenas para o mundo, podemos ser dominados pela ansiedade.

Paulo diz: “Buscai as coisas lá do alto.” Isso não significa negar aquilo que está diante de nós. Significa olhar para tudo isso lembrando que acima de todas essas coisas existe um trono, e Cristo está assentado nele.

Conclusão

Colossenses 3:1 não é um convite para fugir do mundo. É um chamado para viver nele a partir de uma nova perspectiva.

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.”

Fomos unidos a Cristo. Nossa identidade mudou. Nosso destino mudou. Portanto, nossas prioridades também precisam mudar.

Buscar as coisas do alto significa permitir que Cristo determine: o que valorizamos, o que pensamos, o que desejamos, como trabalhamos, como tratamos pessoas, como lutamos contra o pecado, como utilizamos nosso tempo, como enfrentamos sofrimento, e onde colocamos nossa esperança.

Não significa abandonar a terra. Significa viver aqui sabendo a quem pertencemos e para onde estamos indo.

O cristão trabalha na terra, mas seu maior tesouro está no céu. Enfrenta problemas na terra, mas seu Senhor está no trono. Luta contra o pecado na terra, mas sua identidade está em Cristo. E caminha por este mundo sabendo que sua história não termina aqui.

Por isso, talvez a pergunta de Colossenses 3:1 seja muito simples: Para onde está apontado o meu coração?

Porque aquilo que buscamos revela aquilo que valorizamos. E Paulo nos chama a levantar os olhos. Não para ignorar nossas responsabilidades. Não para fugir da realidade. Mas para lembrar que Cristo vive, Cristo reina e Cristo é a nossa vida.

“Buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.” — Colossenses 3:1 (ARA)

Quem foi ressuscitado com Cristo é chamado a viver na terra com os olhos, o coração e as prioridades orientados pelo céu. 

Fernando Paulo Ferreira (Fefo)

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